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9 MESES FORAGIDO
STJ conclui que corretor de grãos denunciado por golpe milionário em Rio Verde agiu sozinho (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Após nove meses considerado foragido, o corretor de grãos Vinícius Martini de Mello, suspeito de aplicar golpes milionários em produtores rurais de Rio Verde, se apresentou à Justiça nesta terça-feira (01). A apresentação era a condição para que o pedido de prisão preventiva contra ele fosse revogado.
Mello compareceu à sede do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, em Goiânia, e agora será monitorado por tornozeleira eletrônica. Além disso, ele deverá comparecer em juízo sempre que for convocado, não vai poder ter contato ou acesso a computadores e dados da empresa, além de ter o passaporte confiscado.
O corretor é investigado por estelionato ao aplicar golpe estimado em R$ 400 milhões em produtores rurais da região. De acordo com a investigação, ele comprava e vendia grãos de produtores, mas não repassava os valores aos clientes.
A defesa de Vinícius Martini informou que ele já está cumpre todas as medidas determinadas pelo Tribunal de Justiça.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás, Vinícius Martini fechava negócio com os produtores, recebia a produção de grãos para revenda, conseguia vender, mas não repassava o pagamento pela produção. O acusado teria “pegado” mais de três milhões de sacas de grãos a cerca de R$ 60 cada, que seriam pagas nos próximos meses.
Ainda conforme a denúncia, muitos produtores estariam preocupados, já que teriam prejuízo de 100%, pois entregaram toda a produção à empresa. As vítimas relataram que o corretor utilizava contratos ou cheques como garantia, gerando prejuízos significativos. Somente nos últimos três anos, as autoridades estimam que a empresa do suspeito movimentou mais de R$ 19 bilhões em fraudes financeiras.
Após fugir, o empresário teria enviado um e-mail às vítimas alegando ameaças e dificuldades financeiras. “Eu vou voltar um dia e honrar cada um de vocês e vou pagar a todos”, informava o e-mail, que tem a veracidade investigada pela polícia.
As apurações da Polícia Civil também revelaram que o corretor de grãos não apenas praticava estelionato, mas também estaria envolvido em um esquema que incluía sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Para isso, ele e outros 14 familiares criaram empresas fantasmas e usava laranjas para emitir notas fiscais sem recolher os impostos, conhecidas como “empresas noteiras”.
Durante uma operação da Polícia Civil, foram apreendidos mais de 400 veículos, sete imóveis e duas aeronaves que pertenciam ao grupo. Esses bens teriam sido adquiridos com os lucros obtidos por meio dos golpes aplicados aos produtores rurais.
Uma das envolvidas seria a esposa, Camila Rosa Melo, que também fugiu para os Estados Unidos, mas retornou e se apresentou na delegacia. O casal chegou a ser incluído na lista de procurados da Interpol.
Em março desde ano, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concluiu que o corretor de grãos agiu sozinho, excluindo a possibilidade de formação de uma organização criminosa. A juíza responsável pelo caso argumentou que o Ministério Público de Goiás (MP-GO) não conseguiu comprovar a existência de uma estrutura estável com divisão de tarefas entre Vinicius e outros 15 investigados.